Uma das apostas mais inusitadas já registradas em mercados de previsão terminou com lucro para quem apostou na descrença. Em 2025, usuários do Polymarket movimentaram cerca de US$ 3,3 milhões em um contrato que questionava se Jesus Cristo retornaria à Terra até o fim do ano. Como o evento não ocorreu, os apostadores do lado “Não” saíram vencedores.
Segundo cálculos citados pela Bloomberg, quem apostou contra a volta de Cristo no pico das especulações, em abril, obteve um retorno anualizado estimado em 5,5%, antes da cobrança de taxas. O rendimento superou, inclusive, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, tradicionalmente usados como referência de investimento seguro.
Apesar de a maior parte do volume ter sido direcionada ao resultado negativo, o mercado indicava que ainda havia apostadores suficientes acreditando na possibilidade do evento. Durante boa parte da primavera no hemisfério norte, a probabilidade de retorno permaneceu acima de 3% no Polymarket, refletindo o engajamento contínuo no contrato.
Controvérsia
O Polymarket, assim como sua concorrente Kalshi, vem ganhando notoriedade por oferecer contratos baseados em eventos do mundo real, como eleições, conflitos internacionais e indicadores econômicos. A proposta dessas plataformas é usar a chamada “sabedoria das multidões” para gerar probabilidades mais precisas.
No entanto, nem todos os contratos seguem essa lógica analítica. Além da aposta sobre a volta de Cristo, a plataforma já ofereceu mercados relacionados à arrecadação de bilheteria de filmes, à frequência de publicações de Elon Musk nas redes sociais e até à possibilidade de Jeffrey Epstein estar vivo . Esses exemplos frequentemente são apontados como mais próximos de entretenimento do que de análise preditiva.
Um representante do Polymarket não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela reportagem original.
Aposta de Pascal
A tentativa de atribuir probabilidades a eventos religiosos não é inédita. No século XVII, o matemático Blaise Pascal formulou a chamada Aposta de Pascal, usando cálculos de custo e benefício como argumento racional para a crença em Deus.
Ao longo da história, diferentes seitas e líderes religiosos já anunciaram datas para a volta de Cristo. Nos próprios evangelhos, Jesus menciona o retorno, mas afirma que ninguém sabe quando isso ocorrerá.
No caso do Polymarket, o contrato não detalhava de forma objetiva como seria reconhecido o retorno de Cristo. O texto afirmava apenas que a resolução se daria por um “consenso de fontes confiáveis”. Ainda assim, no dia 1º de janeiro, a plataforma declarou oficialmente o resultado como “Não”.
Apostas continuam em 2026
Mesmo após o encerramento do contrato de 2025, o tema permanece ativo. Atualmente, o Polymarket mantém aberta uma aposta sobre a possibilidade de Jesus retornar até o final de 2026. A probabilidade atribuída pelos usuários gira em torno de 2%, o que implica um pagamento superior a 5.700% em caso de acerto.
