Entre abril e junho, a receita bruta do setor atingiu 287 milhões de euros
O mercado de apostas e jogos online em Portugal segue como uma importante fonte de receita para o país. De janeiro a junho de 2025, a receita do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) somou 163,9 milhões de euros, o equivalente a cerca de 906 mil euros por dia transferidos aos cofres públicos. O valor representa um crescimento de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ).
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No sistema de tributação do jogo online em Portugal, o Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) varia de acordo com a modalidade. Nos jogos de fortuna ou azar, como os de cassino, a alíquota é de 25% sobre a receita bruta das operadoras. Já nas apostas esportivas de quota fixa, a cobrança incide sobre o volume total apostado, com taxa que começa em 8%, podendo chegar a 16% a 35% em casos específicos, dependendo da estrutura de comissões e operações.
Receita bruta
Entre abril e junho, a receita bruta do setor atingiu 287 milhões de euros, com 62% vindos de jogos de fortuna ou azar e 38% das apostas esportivas de quota fixa. Os cassinos virtuais lideraram a expansão: movimentaram 177,8 milhões de euros, alta de 12,2% frente a 2024. Já as apostas esportivas renderam 109,2 milhões de euros, mas sofreram queda de 5% em comparação com o trimestre anterior.
O volume de apostas em jogos de azar ultrapassou 5 bilhões de euros, avanço de 15,4% em relação a 2024. Dentro desse segmento, slots representaram 79,1% do total, seguidos pela Banca Francesa (7%), Roleta Francesa (5,3%), Blackjack (4,5%) e Pôquer (1,3%). No esporte, o futebol concentrou 67,7% das apostas, seguido por tênis (21,8%) e basquete (6,5%).
No mesmo período, o número total de registros em plataformas licenciadas chegou a 4,9 milhões de contas, um crescimento de 9,9% em relação ao ano passado. No entanto, apenas 1,1 milhão de jogadores realizaram apostas, número 2,6% menor do que em 2024. Houve ainda 211 mil novos registros e 135,5 mil contas canceladas, indicando queda na entrada de novos jogadores.
Autoexclusão
Outro dado relevante é o aumento de autoexclusões: em junho de 2025, já eram 326,4 mil registros bloqueados voluntariamente, alta de 27% em relação ao ano anterior. Esse grupo representa 6,7% do total de contas registradas.
Apesar do crescimento da arrecadação, a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO) alerta para a persistência de riscos ligados ao mercado ilegal. Segundo a entidade, cerca de 40% dos jogadores ainda recorrem a sites sem licença. Somente no 2º trimestre, o SRIJ emitiu 97 notificações para encerramento, ordenou o bloqueio de 110 sites ilegais e encaminhou uma participação ao Ministério Público.
“Persiste uma tendência preocupante marcada pelo fato de cerca de 40% dos jogadores ainda apostarem em operadores não licenciados”, afirmou Ricardo Domingues, presidente da APAJO. Para ele, o Estado poderia arrecadar ainda mais se houvesse combate mais incisivo contra essas plataformas.
Brasileiros
Outro dado chama atenção: entre os jogadores estrangeiros, os brasileiros lideram com 49% dos registros fora de Portugal, seguidos por Cabo Verde, Nepal e Angola. O perfil etário segue jovem: 77,8% dos usuários têm menos de 45 anos, sendo a faixa de 25 a 34 anos a mais representativa (33,5%).