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Resort ligado a Toffoli tem máquinas de jogos legalizadas, afirma Loteria do Paraná

  • Última modificação do post:23 de janeiro de 2026
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Segundo autarquia, equipamentos são vídeoloterias (VLTs), modalidade regulamentada no âmbito das loterias estaduais

A Loteria do Estado do Paraná (Lottopar), órgão responsável pela regulamentação e fiscalização de jogos e loterias no estado, afirmou que o resort localizado em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro do Paraná, frequentado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, possui autorização para operar máquinas de jogos no local. Segundo a autarquia, os equipamentos instalados no empreendimento são máquinas de vídeo loterias (VLTs), modalidade regulamentada no âmbito das loterias estaduais.

De acordo com a Lottopar, as máquinas instaladas no Resort Tayayá são administradas desde 2024 pela concessionária BET PR, detentora da marca Apostou, vencedora do processo de concessão estadual. A autarquia esclarece que os equipamentos são certificados, monitorados em tempo real e instalados em pontos específicos, conforme estabelece decreto estadual editado no mesmo ano.

Ainda segundo o órgão estadual, as máquinas em operação no resort são diferentes dos tradicionais caça-níqueis ilegais, que funcionam sem controle, fiscalização ou autorização do poder público. A Lottopar afirma que os VLTs operam dentro do modelo regulatório das loterias estaduais, com controle centralizado e acompanhamento permanente das operações.

Entenda o caso

O Resort Tayayá ganhou destaque nacional após reportagem do Portal Metrópoles, apontar a existência de um espaço destinado a jogos no interior do empreendimento, incluindo máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de cartas. O resort foi construído pela família do ministro do STF, Dias Toffoli, em Ribeirão Claro (PR), e passou a ser associado ao nome do magistrado, embora seu nome não conste formalmente nos registros societários do local.

Segundo a reportagem, o ambiente de jogos do resort conta com 14 máquinas de vídeo loteria, além de mesas de jogos de cartas, como blackjack. O texto relata que os jogos são realizados com apostas em dinheiro e que o espaço reproduz a estética de cassinos internacionais, com iluminação artificial, carpetes e luzes de neon.

A mesma reportagem descreve que, no fim de 2025, o resort foi fechado para um evento privado destinado a familiares e convidados do ministro do STF. O encontro contou com a presença de artistas e do ex-jogador de futebol Ronaldo Fenômeno, conhecido por atuar profissionalmente no pôquer, modalidade permitida no Brasil.

O texto também relata mudanças na composição societária do empreendimento ao longo dos últimos anos, incluindo a venda do resort por familiares de Toffoli e a participação de investidores ligados a grupos empresariais e financeiros. O caso passou a ser associado a questionamentos públicos em razão de decisões judiciais envolvendo instituições financeiras e empresas com vínculos indiretos aos antigos ou atuais controladores do resort.

Diferença entre VLTs e jogos ilegais

Os terminais de videoloterias (VLTs) e os caça-níqueis (slots) costumam ser confundidos por terem aparência semelhante, mas são equipamentos juridicamente e tecnicamente diferentes.

Os VLTs são equipamentos vinculados a uma loteria oficial, operados sob a autorização e fiscalização de um ente público, como loterias estaduais ou municipais. O resultado das apostas não é definido pela máquina, mas por um sistema centralizado, que controla os jogos, registra as apostas, define os prêmios e garante a rastreabilidade das operações. Esse modelo permite auditoria em tempo real, recolhimento de tributos e aplicação de políticas públicas, já que a arrecadação é destinada a finalidades previstas em lei.

Já os caça-níqueis ou slots tradicionais funcionam de forma autônoma, sem conexão obrigatória com um sistema central estatal. O resultado do jogo é gerado pela própria máquina, por meio de um software interno, sem supervisão direta do poder público. No Brasil, esse tipo de equipamento não possui regulamentação vigente, o que os torna ilegais quando explorados comercialmente.

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