Julgamento do atleta pode durar três semanas
O julgamento de Lucas Paquetá por suposta participação em um esquema de manipulação de apostas esportivas começa nesta segunda-feira (17) e deve se estender por aproximadamente três semanas, segundo veículos da imprensa inglesa, como Sky Sports e The Guardian. O meio-campista do West Ham responde a um processo disciplinar conduzido pela Federação Inglesa de Futebol (FA), que pede seu banimento definitivo do esporte.
Paquetá é acusado de forçar o recebimento de cartões amarelos em quatro partidas da Premier League, entre novembro de 2022 e agosto de 2023, com o objetivo de beneficiar apostadores. A denúncia foi formalizada em maio de 2024, e o jogador brasileiro nega as acusações.
“Estou extremamente surpreso e chateado com o fato de a FA ter decidido me acusar. Cooperei com todas as etapas da investigação e forneci todas as informações que pude durante estes nove meses. Nego as acusações na íntegra e lutarei com todas as minhas forças para limpar meu nome. Devido ao processo em andamento, não fornecerei mais comentários”, afirmou Paquetá em suas redes sociais.
A decisão final será tomada por um Comitê Independente, responsável por avaliar os argumentos da defesa do jogador e da FA. Caso haja recurso, o caso pode ser levado ao Comitê de Apelações da Inglaterra e, em última instância, à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça. O processo pode se arrastar por mais de um ano, período no qual o atleta continuará atuando normalmente.
Acusações
As acusações contra Lucas Paquetá envolvem quatro jogos específicos da Premier League:
- Leicester City (12 de novembro de 2022)
- Aston Villa (12 de março de 2023)
- Leeds United (21 de maio de 2023)
- Bournemouth (12 de agosto de 2023)
A investigação apontou que as apostas relacionadas ao recebimento de cartões amarelos pelo jogador teriam sido feitas a partir da Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, local onde o atleta nasceu.
De acordo com o The Sun, os valores apostados variaram de 7 libras (R$ 46, na cotação atual) até 400 libras (R$ 2,6 mil). No total, os ganhos obtidos pelos apostadores teriam chegado a 100 mil libras (cerca de R$ 670 mil).
As denúncias afirmam que Paquetá influenciou o andamento das partidas ao forçar a aplicação de cartões amarelos, prática que pode configurar manipulação de resultados e fraude no mercado de apostas esportivas.
Possíveis punições
Casos semelhantes já resultaram em punições severas para jogadores que participaram de esquemas de manipulação. O jornal britânico The Sun relembra que:
- Kynan Isaac, ex-zagueiro do Stratford Town, foi banido do futebol por 10 anos pelo mesmo motivo.
- Bradley Wood, ex-jogador do Lincoln City, recebeu suspensão de seis anos após manipular jogos para favorecer apostas.
Se considerado culpado, Paquetá poderá enfrentar uma punição semelhante, o que pode encerrar sua trajetória no futebol inglês.
A decisão do Comitê Independente determinará os próximos passos do caso, mas a possibilidade de recursos pode levar o julgamento final para além de 2026.