Participantes destacaram que o desafio de iGaming é apresentar a complexidade do setor, composto por uma cadeia ampla e interdependente
O painel dedicado ao ecossistema do setor de apostas no Mercosul iGaming Summit 2026 reuniu Filipe Rodrigues, advogado e presidente da Associação Jogo Positivo; Leonardo Benitez, CEO da Propane; Helena Matos, advogada da Jusbrasil e Natalia Nogues, CEO da Control F5, para uma análise aprofundada sobre a estrutura da indústria, os impactos da regulamentação e os desafios de consolidação do mercado no Brasil.
Ao longo do debate, os participantes destacaram que o desafio de iGaming é apresentar a complexidade do setor que é composto por uma cadeia ampla e interdependente, que vai muito além das operadoras de apostas, envolvendo tecnologia, marketing, meios de pagamento, jurídico e compliance.
Natalia Nogues utilizou uma analogia para explicar essa complexidade.
“A gente olha para a tela aqui atrás e vê a casa de apostas, mas atrás disso existem milhares de componentes, empresas e pessoas que fazem tudo funcionar”, disse.
Ela ressaltou que o ecossistema está em constante evolução, com a entrada de novas soluções tecnológicas.
“São empresas de pagamento, KYC, marketing, jurídic e cada vez surgem novas ferramentas, agora com inteligência artificial, que trazem mais eficiência para o setor.”
Filipe Rodrigues apresentou uma contextualização histórica do mercado brasileiro, destacando o longo período sem regulamentação.
“Durante décadas se jogou no Brasil, mas sem geração de impostos, empregos ou uma cultura estruturada do jogo”, afirmou.
Segundo ele, a regulamentação recente trouxe avanços importantes na organização do setor.
“As empresas passaram a se unir, a dialogar com o governo e a estruturar melhor o mercado”, disse,
No entanto, o advogado apontou que ainda há desafios relevantes na comunicação com a sociedade.
“O diálogo com o governo tem sido muito mais exitoso do que com a sociedade. E esse é um investimento que o setor ainda precisa fazer”, destacou.
Leonardo Benitez destacou como a regulamentação dos provedores ajudará na transparência do mercado.
“Eu acho que a nossa regulação vai ser um case de estudo. E os próximos três anos serão importantes para os provedores e fornecedores. Será o momento de identificar quem trabalha com o mercado regulado; para quem trabalha para o regulado e o não-regulado; e para quem está somente no não-regulado. Será um divisor de águas”, disse.
Helena Matos enfatizou a importância da clareza normativa para o desenvolvimento sustentável do mercado.
“A clareza a respeito dos marcos regulatórios é um fator que vai distinguir a regulação em que pode não ser limitação, pode ser motor de operação. Então, a partir do momento que se tem clareza a respeito do que a regulação vai endereçar e pode endereçar, claro, de um ordem de advocacia bem feita”, explicou.
Ela destacou que a previsibilidade jurídica é um fator decisivo para a operação das empresas.
“Quando há clareza sobre o que a regulação permite, o mercado consegue se estruturar com mais consistência”, afirmou.
Helena também abordou a necessidade de integração entre áreas estratégicas dentro das empresas.
“Não dá para deixar apenas o jurídico tomar decisões isoladas. É preciso uma abordagem transversal, com tecnologia, dados e compliance trabalhando juntos”, destacou.
A advogada também apontou a necessidade de um foco maior em prevenção.
“A partir de uma lógica preditiva e de prevenção, o mercado consegue se posicionar melhor diante dos reguladores”, disse.