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Colunista aponta prejuízo de R$ 47 bilhões ao país em caso Banco Master e critica assimetria com vigilância sob apostas

  • Última modificação do post:25 de janeiro de 2026
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Jornalista Marcondes Brito, define esse tipo de prejuízo como ‘difuso, invisível e mais fácil de ser naturalizado’

Uma coluna assinada pelo jornalista Marcondes Brito, publicada no site Jornal de Brasília, chama atenção para o que ele define como uma assimetria no debate público brasileiro ao comparar o setor de apostas esportivas (bets) com episódios recentes de prejuízos no sistema financeiro, como o caso envolvendo o Banco Master.

Logo no início do texto, o colunista afirma que não ignora os riscos associados às casas de apostas.

Não há ingenuidade possível quando o assunto são casas de apostas”, escreve Brito, ao destacar que o setor movimenta grandes volumes de dinheiro, pode estimular vícios e exige vigilância constante. Segundo ele, “esse debate existe, é legítimo e precisa continuar”.

No entanto, o jornalista afirma que o que chama sua atenção é “a desigualdade do olhar público diante de problemas de natureza muito diferente, mas de impacto igualmente devastador”. Para Brito, enquanto as perdas individuais associadas às apostas (bet) geram debate intenso, outros prejuízos financeiros de maior escala ocorrem sem provocar reação semelhante.

Na coluna, ele utiliza dados divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda e publicado no Portal Media Bet Brasil para contextualizar o tamanho do mercado regulado. “Em 2025, já sob regulamentação, as casas de apostas registraram uma receita bruta de R$ 37 bilhões”, aponta. Segundo o colunista, o número impressiona “não por qualquer glamour do jogo, mas pela escala”.

Brito destaca ainda que parte desses recursos possui destinação prevista em lei.

Cerca de 12% tem destinação obrigatória, com repasses definidos e fiscalização formal”, escrevu, ressaltando que isso não transforma o setor em um exemplo positivo, mas o mantém sob constante exposição pública. “Isso não transforma o setor em exemplo de virtude, mas o coloca sob permanente exposição pública”, afirma.

Ao comparar com o sistema financeiro, o colunista afirma que o caso do Banco Master seguiu caminho oposto.

Não houve holofotes, alerta prévio ou debate proporcional ao risco que se acumulava”, escreve. Segundo ele, quando o problema veio à tona, “o estrago já estava distribuído pelo sistema financeiro”.

Impacto de R$ 47 bilhões

Na avaliação apresentada na coluna, o impacto estimado é elevado. Brito aponta “aproximadamente R$ 47 bilhões sobre o Fundo Garantidor de Créditos”, além de “uma exposição na casa dos R$ 12 bilhões do BRB”. Ele ressalta que esses valores não estão ligados a decisões individuais de risco. “Esse dinheiro não foi perdido em apostas nem resultou de decisões individuais de risco”, escreve.

Segundo o jornalista, os recursos estavam associados a instrumentos criados justamente para oferecer segurança ao cidadão.

Poupança, bancos digitais, recursos protegidos e, em muitos casos, valores associados à aposentadoria de milhares de pessoas, enumera. Ainda assim, ele afirma que o tema avançou “quase sem indignação pública, sem campanhas e sem o tom alarmista que costuma acompanhar outros debates”.

Para Brito, esse contraste revela um problema maior no debate público. “Existe vigilância constante sobre o dinheiro que o cidadão decide arriscar, mas quase nenhuma mobilização diante do dinheiro que simplesmente some das engrenagens do sistema financeiro”, afirma. Ele define esse tipo de prejuízo como “difuso, invisível e, por isso mesmo, mais fácil de ser naturalizado”.

Ao concluir a coluna, o jornalista reforça que o debate sobre apostas é legítimo, mas incompleto. “No Brasil, discute-se com razão o dinheiro que o cidadão perde quando joga”, escreve. Para ele, o ponto central é outro: “O que ainda não se discute com a mesma urgência é o dinheiro que o país perde quando ninguém está olhando”.

Segundo Brito, “entre o barulho das apostas e o silêncio dos grandes rombos”, o problema pode estar menos no jogo em si e mais “na escolha de onde apontar os holofotes”.

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