minha casa minha vida Eduarda tolentino brz apostas bets

CEO de incorporadora do Minha Casa Minha Vida afirma que bets atrapalham financiamento de moradias

  • Última modificação do post:27 de dezembro de 2025
  • Tempo de leitura:5 minutos de leitura

Para Eduarda Tolentino, gastos com apostas tem comprometido a capacidade financeira de famílias de baixa renda 

O avanço das apostas online seria um dos fatores que interferem no mercado de habitação popular. Segundo a CEO da incorporadora BRZ, Eduarda Tolentino, os gastos recorrentes com bets têm comprometido a capacidade financeira de famílias de baixa renda e dificultado o acesso ao financiamento imobiliário no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

“A constância com que esse gasto aparece no extrato e o comprometimento que gera no orçamento da família chamam muita atenção”, afirmou a executiva em entrevista à Folha de S.Paulo, ao comentar o impacto das apostas no perfil de crédito dos compradores.

De acordo com ela, qualquer restrição financeira inviabiliza o financiamento pela Caixa Econômica Federal.

“Para financiar pela Caixa, não pode haver sequer R$ 1 de pendência. Qualquer restrição já torna o comprador inelegível”, disse. Nesse cenário, os gastos com apostas passam a competir diretamente com despesas essenciais e com a própria prestação do imóvel.

Eduarda avalia que o problema se torna ainda mais grave diante do atual contexto econômico. “A gente está vendo um cenário de inflação, as coisas subindo muito, e a capacidade de pagamento do cliente sendo estrangulada”, afirmou. Segundo a CEO, o impacto é mais perceptível entre os compradores da faixa 2 do programa, que atendem famílias com renda de até R$ 4.700.

A executiva também chama atenção para a complexidade do tema. “Essa questão das bets é algo tão estrutural, porque ainda não existe uma regulamentação clara, ao mesmo tempo em que há patrocínios vultosos dos principais clubes de futebol. Isso gera um nível de complexidade muito maior até para criar legislação”, disse à Folha.

BRZ aposta em expansão no interior paulista

Fundada em 2010, nos primeiros anos do Minha Casa, Minha Vida, a BRZ Empreendimentos completa 15 anos de atuação com foco no segmento econômico. A empresa nasceu em Pouso Alegre (MG) e hoje tem no interior paulista seu principal eixo de crescimento, com sede em Campinas.

Segundo Eduarda Tolentino, a proposta da incorporadora sempre foi ressignificar a moradia popular.

“A gente traz a experiência de luxo para o segmento econômico”, afirmou. Ao longo da trajetória, a empresa já entregou cerca de 34 mil apartamentos em mais de 30 cidades nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Mesmo com margens apertadas, juros elevados e restrições de funding, a CEO avalia que o Minha Casa, Minha Vida tem sido essencial para sustentar o setor. “É o que está segurando o mercado hoje, principalmente com a Selic alta e a inflação”, disse.

Ela destaca ainda que o déficit habitacional brasileiro está fortemente concentrado nas faixas de renda mais baixas. A maior parte está na faixa 1 do programa, enquanto cerca de 15% está na faixa 2 e apenas uma pequena parcela acima disso, o que reforça a relevância social do MCMV.

Cliente mais exigente e mudança de perfil

Ao contrário do estigma que marcou os primeiros anos do programa, o produto evoluiu. “Existia muito preconceito, era visto como coisa para pobre. Se não tivesse acabamento, era aquilo e pronto”, relembrou Eduarda.

Hoje, segundo a executiva, a concorrência e a mudança geracional elevaram o padrão. A geração Z, que há poucos anos representava 10% das vendas da empresa, já responde por quase metade do volume comercializado. “São nativos digitais, conectados, com acesso à tecnologia, independentemente da renda. Isso eleva naturalmente o nível de exigência”, afirmou.

Os empreendimentos da BRZ passaram a incluir mais de 20 itens de lazer, como piscina, academia, churrasqueira, espaços de convivência e serviços, em uma estratégia voltada à segurança, praticidade e valorização do imóvel.

Crédito, digitalização e desafios futuros

Para aumentar a taxa de aprovação de crédito, a incorporadora orienta os clientes a construírem relacionamento com a Caixa antes do lançamento dos empreendimentos. Segundo Eduarda, esse acompanhamento permite alcançar índices de aprovação entre 70% e 80%.

A digitalização também se tornou central. A BRZ foi piloto da Caixa no financiamento 100% remoto, permitindo que toda a jornada — da simulação à assinatura — seja feita online.

Por fim, a CEO avalia que desafios como escassez de funding, reforma tributária e instabilidade econômica exigem cautela. “Empreender no Brasil é para os fortes. A imprevisibilidade é regra, e a gente precisa dançar conforme a música”, concluiu.

41 Visualizações totais - 1 Visualizações hoje