Apesar de não ter autoridade para encerrar comissão, presidente do Senado pode promover estratégias para esvaziá-la
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pode encerrar antecipadamente a CPI das Bets, instalada em novembro deste ano para investigar irregularidades no setor de apostas. Segundo reportagem da revista Veja, a decisão seria uma resposta às denúncias de que empresários estariam sendo extorquidos por um lobista com influência sobre parlamentares da comissão.
A CPI tem prazo regimental para funcionar até abril de 2025, mas Pacheco sinalizou a senadores que está disposto a articular o fim dos trabalhos antes do previsto. Embora o presidente do Senado não tenha autoridade formal para dissolver uma comissão, ele pode promover estratégias para esvaziá-la, como a orientação para que senadores deixem de comparecer às sessões, inviabilizando o quórum necessário para as deliberações.
O episódio ganhou força na última semana, quando o senador Ciro Nogueira (PP-PI) procurou Rodrigo Pacheco para relatar um esquema de extorsão. Nogueira afirmou que o lobista Silvio de Assis teria solicitado R$ 40 milhões a um empresário, prometendo evitar sua convocação à CPI e alegando ter influência sobre membros do colegiado.
Ainda de acordo com o congressista, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da comissão, teria proximidade com Silvio de Assis, embora não tenha feito acusações diretas. Thronicke, por sua vez, admitiu conhecer o lobista, mas negou qualquer relação. “Isso é difamação, é calúnia”, afirmou.
Mais um fim precoce
A articulação para o possível encerramento da CPI das Bets remete ao destino de outra investigação parlamentar relacionada ao setor de apostas. Em 2023, a CPI das Apostas Esportivas, instalada na Câmara dos Deputados para apurar manipulações em jogos de futebol, teve um fim abrupto.
A comissão, que tinha prazo regimental para funcionar até novembro daquele ano, foi encerrada dois meses antes. O desfecho aconteceu após uma outra denúncia publicada pela Veja, apontando que o relator da CPI, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), teria solicitado R$ 35 milhões a um representante de casas de apostas. A negociação teria como objetivo garantir proteção dentro da CPI e evitar convocações.